I Encontro Yoga

A idéia desse encontro surgiu pela necessidade de experimentar viver o yoga em contato profundo com a natureza.
Escolhemos estar num lugar de muita beleza e paz e nos dias 30, 31/01 e 01/02/2004, na Ponte da Felicidade que é um sítio próximo à Ilha de Itaparica, pudemos viver experiências trans- formadoras.
O tema desse Encontro foi "A natureza do meu coração, e todas as atividades de Hatha-Yoga, meditação, palestras e vivências foram voltadas para favorecer esseencontro com o coração, e o encontro do coração com a natureza externa e interna.
A natureza nos ofereceu tudo em abundância, chuva e enchente no rio, que nospropiciou muitos desafios, sol quando precisamos, céu estrelado quando quisemos umafogueira, muitas frutas e verduras que nos alimentaram não só o corpo como também a alma.
A experiência foi mágica e transformadora. Nos despedimos desse lugar guardando no coração algo de muito precioso. Um dos participantes do grupo nos ofereceu esse poema ao término dos trabalhos, queilustra algo que vivemos juntos nessa grande viagem ao encontro da natureza do coração.
A PONTE DA FELICIDADE
Um dia,
isso já faz muito tempo,
tanto tempo quanto há astros no espaço,
me sentei nos ombros do meu mestre
e, cavalgando um raio azul,
voamos juntos
todas as impossibilidades.
Faz muito tempo,
mas na minha lembrança
é vívido como o é este instante:
o amanhã.
Em um palácio dourado
havia um homem de cujos dedos brotava um arco-íris
e de cujos olhos escorriam pérolas.
Na sua mesa abundava o melhor vinho
e os mais saborosos manjares.
Nos seus salões soavam sinfonias
e as ninfas mais graciosas
digladiavam-se pela sua atenção.
Mas era um homem triste porque tinha medo,
medo de perder a fortuna que o entristecia.
Na cidade havia um homem poderoso
.
Era dono de todas as vontades.
Era temido por todos.
Todos se curvavam à sua passagem.
Não precisava amealhar fortuna
porque nada lhe era negado.
Mas era um homem triste porque não era amado
e tinha medo de perder o poder que o entristecia.
Em um casebre, na beira da estrada,
havia um homem forte e bonito,
um homem formidável.
Não tinha fortuna,
não tinha poder
e era amado pela mulher mais bela do universo.
Mas era um homem triste porque temia o tempo
que inexoravelmente lhe roubaria
a força do corpo e a beleza da face.
Temia, coitado, perder a beleza que o entristecia.
Trancado em uma biblioteca havia um homem sério,
era filósofo, poeta, um oráculo.
No mundo não havia homem mais sábio.
Gozava do respeito do homem rico,
do homem poderoso
e do homem formidável.
Mas era um homem triste porque temia perder a consciência e, perdendo-a, perder aquilo que inconscientemente o entristecia.
À beira de um lago, contudo, encontramos um louco.
Um homem feio, caolho e aleijado.
Estava nu porque não tinha roupas.
Estava sozinho porque não era temido, não era amado
e era completamente ignorante,
não servia pra nada.
Mas ele sorria.
Sorria porque não tinha nada e não tendo nada,
nada tinha para perder, sequer o medo de ser poeira.
Faz muito, muito tempo,
mas aquele louco continua andando por aqui.
Não importa quantas vezes eu o expulse,
eu peça que se vá,
implore que me deixe em paz,
ele volta sempre.
Nunca me diz nada, nem uma palavra.
Tudo o que sabe fazer é sorrir
e no brilho do seu olhar é que eu vejo
o quanto ainda preciso perder
para estar comigo mesmo
e poder, então, transpor
a Ponte da Felicidade.
Fred Matos.
02/02/2004
Produção
Ludmila Rohr
Tatiana Furtado