VIGESIMO DIA
Ludmila Rohr

Namastê!

Sempre achei que uma das coisas mais importantes que poderia ensinar aos meus filhos, seria o aprendizado em relação às frustrações. Saber lidar com frustração nos torna mais adultos, mas maduros e menos queixosos.

Nunca tive muita paciência para xiliques, então os ensinei rapidinho, talvez porque eu tenha aprendido desde muito menina, que as coisas não são exatamente como desejamos. Não conseguimos, nessa primeira tentiva, voar até o Himalaya. Muita neblina, muitas núvens impediriam a nossa visão das cordilheiras...Percebo as reações das pessoas, diferentes, mas no final...maduras, ainda teremos chance de tentar outra vêz depois de amanhã , diferente de outras pessoas que lá estavam e que não teriam outra chance, uma garota européia que voaria conosco, ficou chorando.

Algumas pessoas compartilharam comigo, um grande aprendizado com relação à falsa idéia que temos de possuir controle sobre alguma coisa, e que quando passamos por algo assim, nos deparamos com a tamanho mínimo da nossa vontade em relação a algo maior que é a natureza. Quando estamos diante da natureza, percebemos que po rmais que façamos tudo direitinho, é ela quem decide. acordamos cedo, cumprimos horário, ou seja, fomos meninas boazinhas e no entanto...o nosso desejo não foi atendido. Temos uma tendência cristã de pensar que fomos punidas, mas isso seria achar que tudo funciona em torno da nossa vontade, ou somos atendidas ou não somos atendidas, seria muto egocentrismo. Não é exatamente assim....a natureza simplesmente existe e me parece que ela não está nem aí para o que desejamos ou não.

Mesmo diante do poder inexorável da natureza, acho de fundamental importancia estarmos conectados e reafirmando os nossos desejos, senão estariamos simplesmente sendo levados pelo vento. acho que podemos ser como velejadores na vida, traçar metas, fazer planos, mas sabendo sempre que existe algo muito maior que a nossa vontade...temos que respeitar os ventos, as marés...e usar tudo isso ao nosso favor, imagino que as pessoas que não entendem isso, sofrem muito e até sucumbem. O ego tem que se render ao self, não se significa se dissolver, mas...sim, uma rendição.

Mas como adoramos dar significado a tudo, pois nos faz sentir mais importantes, percebemos que acordar às 5 da madrugada hoje, com tudo escuro e muito frio, teve um significado especial...encontramos o nosso querido Gui no aeroporto, ele iria voar para Lukhla (acho que é assim que escreve), para em seguida ir sozinho subir até a primeira base no Everest.

Ele acompanhará um grupo que fará esse roteiro depois.

Muito amor...
Ludmila Rohr