DECIMO OITAVO DIA
Ludmila Rohr

Namastê!

Como adoro esse lugar. Me sinto como se estivesse dentro de um filme em que o tempo ganha dimensões holográficas. Todos os tempos cabem aqui. Tem muita modernidade junto com o mais antigo da humanidade. Jovens absolutamente modernos, caminhando lado a lado com os Sherpas (pessoas da montanha) que parecem ter congelado no tempo.

Hoje passamos o dia rodando, visitamos Boudnath, que é o principal templo budista do Nepal e a maior estupa do mundo. Nesse lugar sempre está tocando o mesmo mantra, todos os anos, todos os dias...Om Mani Padme Hum..., parece que a minha memória auditiva já me traz pra cá sempre que o ouço...muito encantador. Dei algumas voltas na estupa, fazendo as minhas orações...nada a pedir, só a agradecer.

De um lugar budista para um hinduísta...um choque como sempre. Fomos para Pashupatinath, que é um templo dedicado a Shiva, e é o mais importante templo hinduísta do Nepal. Se quando falo em templo, na mente de vocês vier algo que lembra uma igreja, pode apagar...são lugares abertos, ao ar livre e hoje com muito frio. Esse templo fica ao lado de um rio sagrado para os hinduístas porque deságua no Ganges. Esse é o principal lugar de cremação do Nepal.

Assistir cremações mobiliza muitas emoções, hoje havia 3 corpos sendo cremados ao mesmo tempo, com suas famílias assistindo e um outro corpo esperando. Era um corpo de um rapaz jovem. Nunca havia visto, um corpo sendo preparado para a cremação e é impressionante. Eles o desenrolaram, e lavaram sua cabeça, seu corpo nas águas do rio (imundas), e o enrolaram outra vez enquanto a pira era montada, depois o colocaram sobre a pira..não vi ser acendida, mas vi a mãe do rapaz chorando, muito sofrida.

Nunca é natural um jovem morrer. Todas as pessoas do grupo ficaram mobilizadas, de diferente formas, mas ficaram. Mas é legal ver a relação que eles tem com o corpo, o cuidado e o respeito, e também como eles realizam o luto...todo terapeuta ocidental deveria estudar o luto da forma como eles realizam. Uma despedida sem negações, nem chegamos perto da forma que eles cuidam da morte e a dimensionam no contexto da vida. Viver a vida sabendo da morte e não a negando como normalmente fazemos, dá um sentido tântrico de realidade, de presente, de totalidade....grandes reflexões, Juro que marcarei um dia, esse ano, no Mahatma para conversarmos sobre isso.

Nesse lugar, temi números pequenos templos em que o centro é o Linga de Shiva , a representação do orgão sexual masculino, e o Ione, orgão sexual feminino. Incrível não? Orgão sexuais em centros de templos...é a representação pura do poder de criação, da renovação da vida...muito legal ficar rafletindo sobre isso, quando as religiões cristãs cobriam até o sexo dos anjos.

Depois...compras...voces não imaginam o que é a Thamel, um bairro comercial que deixa qualquer um louco...tudo se vende aqui....todas já estão de mala extra e provavelmente cartões estourando....muito tentador, difícil de resitir.

Vou demorar para escrever de novo, pois amanhã iremos sobrevoar o HIMALAYA!!!!!!!! e depois iremos passar uma noite em um hotel nas montanhas, pertinho das núvens, duvido que tenha internet lá...mas prometo que assim que voltar a Kathmandu conaterei tudo que for possível, tudo que o meu pobre vocabulário permitir.

Ludmila
P.S. amo receber os emails de voces, sinto saudades e também quero voltar, mas também quero ficar...esse é o único lugar que existe, esse é o único momento que existe....agradeço todos os email amorosos.