DECIMO SEXTO DIA
Ludmila Rohr

Namaskar!
Hoje é o aniversário de Isabel, e a ela quero dedicar esse dia. Acho que só alguém muito especial pode amanhecer no Ganges em Varanasi e dormir em Kathmandu no dia do seu aniversário. Parabéns!

Às 5:30 estávamos no Ganges outra vez! Ainda não tinha amanhecido e entramos em um barco que nos levou ao longo dos Gaths de Varanasi. Ao contrário de ontem, hoje de manhã o Ganges é só serenidade. É o momento das manifestações íntimas da espiritualidade. Pessoas se banham neste rio que é tão amado e reverenciado, famílias inteiras fazem isso...lavam suas roupas ali, fazem seus rituais pessoais, reverenciam o novo dia, fazem orações, fazem yoga...e nós... olhamos extasiados. Realmente chego a sentir pena de mim, por não ter experimentado na vida uma fé e religiosidade tão grande, nos meus padrões, parece que essas pessoas são ingênuas, que não conhecem a vida....mas será que eu conheço? Ou será que o que eu conheço como vida é realmente vida? Elas me parecem tão simples e tão felizes!

Ficamos simplesmente andando por este lugar...não é possível sair incólume de Varanasi. Esse é o nosso tempo aqui, vamos para o aeroporto e nos sentimos como em um filme que se passa na década de 40, em um aeroporto perdido em algum lugar do mundo. Vocês não podem imaginar o que é o aeroporto internacional de Varanasi? Cheio de turistas do mundo inteiro e um caos! Um grupo de franceses, outro de noruegueses, italianos...Nos sentimos como "Indiana Jones no Templo da perdição". Gui arrasa com sua organização e logística, aliás a Latitudes arrasou o tempo inteiro, nos sentimos amparadas e apoiadas durante toda a viagem, um suporte que nunca vi igual! (Dedé, você está de parabéns!)

Chegar em Kathmandu mais uma vez é para mim um presente inigualável. Ouvir o "Om Mani Peme Hum" tocando nas ruas é delicosos. As pessoas são diferentes, não se vê pobreza e o povo Nepalês é guerreiro (isso me agrada), não foram educados em castas que os imobilizam e já tiveram uma história de muitas conquistas populares e políticas. Gosto disso!

Vamos sair para jantar e celebrar o aniversário de Isabel e nos despedir do Gui, que nessa fase da viagem, já não mais estará conosco! Quero encerrar esse diário falando de Guilherme que foi um guia, um amigo, um irmão, um companheiro e um filho para todas nós. Falávamos tantas besteiras na frente dele, que ele enrubescia...uma pessoa de um coração imenso, de um profissionalismo de primeira e de uma paciência de Jó para lidar com esse grupo de mulheres que provavelmente foi único para ele.

Acho que fiz um grande amigo e com certeza vamos nos reencontrar. Nem consigo mais pensar em vir à Índia sem ele! Já estamos muito saudosas!
Ludmila Rohr